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“Fachos” vencem as 7 Maravilhas da Cultura Popular na Madeira

A candidatura submetida pela Câmara Municipal de Machico vai representar a Região na final, a nível nacional.

A tradição secular “Os Fachos”, património imaterial do concelho de Machico, foi a grande vencedora regional do concurso das “7 Maravilhas da Cultura Popular”.

A votação para escolher a representante regional a nível nacional terminou ontem, dia 17 de julho, sendo que a revelação da grande vencedora também foi conhecida na passada sexta-feira, durante o programa da RTP, conduzido pelos apresentadores José Carlos Malato, Vanessa Oliveira, Licínia Macedo e Duarte Rebolo, que teve lugar no Parque Temático, em Santana.

Prémio recebido pela Câmara Municipal de Machico

O presidente da Câmara Municipal de Machico, Ricardo Franco, juntamente com outras pessoas que colaboraram nesta candidatura, marcou presença no evento, recebendo, no final da cerimónia, um troféu criado e oferecido pela SPAL Porcelanas, empresa responsável pela criação do troféu oficial das “7 Maravilhas da Cultura Popular. A candidatura dos “Fachos” foi apadrinhada pelo investigador e historiador José Eduardo Franco, umas das personalidades que esteve presente na cerimónia.

Tal como a NiM já tinha divulgado, num artigo anterior, para além dos “Fachos”, concorreram também o “Bailinho da Madeira” (candidatura do município da Calheta), as “Casas Típicas de Santana” (candidatura do município de Santana), os “Tapetes de Flores” (candidatura do município de Santana”, o “Bordado da Madeira” (candidatura do município do Funchal), a “Noite do Mercado do Funchal” (município do Funchal) e a “Boneca de Massa” (município de Santa Cruz).

O QUE SÃO OS FACHOS?

A tradição dos Fachos remonta aos séculos XVII e XVIII, época em que era recorrente a Madeira ser alvo de ataques de piratas. As gentes machiquenses recorriam a sinais de fogo para avisarem outros pontos da ilha e até mesmo os populares do Porto Santo, da chegada de corsários. Este ritual surge então desta necessidade de defesa do território madeirense e da sua população.

Com o passar dos anos esta prática etnográfica foi sendo associada à Igreja, sendo que a celebração dos “Fachos” acontece anualmente, desde 1903, no último fim-de-semana de agosto, na véspera da Festa do Santíssimo Sacramento. Quando os ponteiros do relógio assinalam as 21 horas soa o búzio, que serve de sinal para que se acendam as bolas de desperdício, embebidas em óleo, iluminando as várias figuras espalhadas pelas encostas do vale de Machico. Simultaneamente, o céu de Machico é invadido pela cor e impetuosidade do fogo de artifício, que dá assim outra moldura a esta tradição.

Cada sítio tem um grupo de voluntários que se responsabiliza por acender e preparar todo o árduo trabalho que resulta num belíssimo e único espetáculo de luz, que encanta todos os que se dirigem a este concelho e que é motivo de orgulho para todos os munícipes de Machico. Existe uma competição salutar entre os vários sítios, no sentido de ter o “Facho” mais bonito e proporcionador do melhor espetáculo para os espectadores.

E se antigamente cada sítio podia alterar o desenho ano após ano, visto que a estrutura das figuras era feita em varas de madeira, de há uns para cá que cada sítio apresenta sempre a mesma ilustração, tornando-se já algo identitário de cada sítio. Esta mudança deveu-se à adoção de uma estrutura metálica, de modo a facilitar o trabalho a todos os colaboradores dos “Fachos”, que em vez de todos os anos terem de construir novas estruturas, apenas têm de distribuir as bolas de desperdício nos sítios sinalizados da estrutura, de uma forma simétrica e organizada, que acaba por se materializar numa figura, quando acesa. Para além das bolas de desperdício (restos de matéria têxtil), os fachos são compostos por outros materiais como arame, pregos e óleo queimado.

As figuras luminosas representam símbolos muito próprios da história e cultura machiquense, como é o caso da religião (custódia, as cruzes e o cálice) e da atividade piscatória (peixes, caravelas e traineiras). O espetáculo de fogo dura cerca de 30 minutos, sendo que os fachos vão perdendo intensidade até se apagarem. Todo este acontecimento envolve o trabalho de várias pessoas e entidades, como é o caso dos bombeiros, que são  destacados para cada “Facho”, a fim de garantirem a segurança de todos e de impedir o surgimento de um possível incêndio no mato circundante.

Após o espetáculo, os holofotes incidem nos obreiros desta ancestral tradição. Os voluntários de cada sítio descem dos montes, ao som do búzio e carregados de satisfação e de sujidade, em direção à praia, para o tradicional banho no mar, que devolve a frescura e o vigor a estes seres briosos.

A noite é de festa, com muitas barracas de comes e bebes, música e animação, que vai até de manhã. A tarde do domingo seguinte aos “Fachos” fica marcada  pela procissão em honra do Santíssimo Sacramento, que é muito afamada pelo tapete de flores, também este à responsabilidade dos fiéis de cada sítio, que dão o seu melhor em busca do excerto de tapete mais criativo, colorido e impactante.

Em setembro de 2018, esta tradição foi adaptada a um documentário, realizado por Eduardo Costa, intitulado de “Fachos – Uma Tradição Secular”, que foi apresentado no Teatro Baltazar Dias, no Funchal. Esta produção surgiu de uma iniciativa da Câmara Municipal de Machico submetida ao Programa de Desenvolvimento Rural para a Região Autónoma da Madeira 2014-2020 (PRODERAM 2020), em 2016.

O dia 5 de junho de 2020 marca um novo capítulo na história dos “Fachos”, com a criação da Fachos-Associação Cultural e Recreativa do Facho da Ladeira, que tem como objetivo a defesa e a difusão desta tradição. Acompanhe a página de facebook desta Associação e também da Câmara Municipal de Machico para ficar a par de todas as novidades e informações, relativas aos “Fachos”!

A NiM espera que tenhas gostado de conhecer melhor a história desta tradição singular e deixa-te uma pequena amostra do que são os “Fachos”!

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